segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Considerações sobre o "ter" e o "ser"

Enquanto assistia a uma aula da faculdade, me deparei com algumas idéias que me chocaram um pouco.
Primeiro, que ouvi de um colega, do qual pouco (ou nada!) simpatizo, um comentário muito preconceituoso em relação às minhas origens. Só pra constar, eu sou baiana (apesar de me considerar 70% gaúcha), e o que ele falou sobre o povo nordestino me ofendeu... me mordi na hora!!!

Isso me levou a uma série de pensamentos sobre o tal preconceito. E ao comentar com uma amiga minha, talvez uma das pessoas mais sinceras que eu conheço, eis que me deparo com o seguinte comentário: "Quem és tu pra falar? Tens preconceito com idade! Vives dizendo que 'Fulano' é muito criança pra ti!"

Será que todos nós, em algum momento de nossas vidas acabamos cara a cara com o tal do preconceito? Inocência minha pensar que não.
Logo eu, que sempre preguei que não devemos nos apegar às "coisas", nem de representações de "coisas", mas sim de pessoas, do que elas representam pra gente, independente de cor, raça, credo, idade, opção sexual ou seja mais o que...

É tão fácil enxergar o julgamento das pessoas. E é tão triste também. Eu sempre tentei ser dos seres-humanos, o melhor, mesmo esbarrando aqui e ali. Mas sempre erramos uma hora ou outra, e essa condição é inexorável pra qualquer pessoa, isso é fato!

Eu conheço pessoas que não tem vergonha de externar suas (péssimas) opiniões. Pessoas crivadas de preconceitos, ódios, julgamentos precipitados.
Vi, numa comunidade de Orkut, onde normalmente encontramos as maiores besteiras, a seguinte frase: "Tempo difícil esse em que estamos, onde é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito."

Poxa, tempo difícil mesmo. Eu quase não consigo acreditar, quando escuto de alguma amiga minha, por exemplo, comentários sobre posição social, isso me dá uma raiva. O que a pessoa tem, o que ela pode comprar, adquirir, fazer, os lugares que ela pode frequentar, não a torna mais ou menos corajosa, inteligente, capaz, do bem...
Dinheiro, status, posição social, não tornam ninguém melhor que o outro. O que faz o seu Joãozinho da carrocinha da pipoca ser diferente (pra melhor ou pra pior) que o seu Josézinho dono da concessionária é o que cada um carrega consigo, dentro de si... é sua história, o caráter, o que eles são na essência.

Acredito que, nos lugares mais improváveis, encontramos as pessoas mais incríveis, nos deparamos com as histórias mais emocionantes, vivemos os nossos melhores dias. E o preconceito, é bobo e cego, e só nos faz emburrecer e perder tempo.

A própria palavra preconceito se encarrega de ser a sua própria explicação. É o pré-conceito. As impressões que nós tiramos antes de algo. O preconceito deveria ser então, a "arte de mudar de opinião!" O que seria lindo pra maioria das pessoas que eu vejo por aí.

O preconceito, o julgamento precipitado, considerar que uma pessoa possa "ser mais" que a outra, por "ter mais", por possuir bens... é realmente uma grande baboseira!! Ser melhor que o outro pelo simples fato de ter mais... pra mim, já faz ser bem menos...

Não gosto do "ter", nunca gostei. Ele só é benvindo quando agregado de uma coisa mágica ao lado, como por exemplo: ter uma boa conversa, ter bons amigos, ter uma boa saúde, ter uma família unida... acho que já deu pra entender meu ponto de vista.

Preocupe-se muito mais com "ser", e livre-se de qualquer preconceito imbecil. Ser legal, ser inteligente, ser saudável, ser alegre, ser feliz, ser amado, ser da paz... Ser amigo, ser fiel, ser pleno!! É por isso que deveria valer a pena viver.

O meu preconceito com a idade eu tento resolver. Esse é fácil. Já aqueles advindos de tradições de famílias, os de pessoas com cabeças fracas e vazias, esses sim, deveriam ser a maior luta da humanidade.

Um dia de cada vez, e acredito que em algum momento, ainda encontraremos a plenitude da paz! Utopia? Maybe! Mas ninguém pode me impedir de sonhar!!!

Era isso!

4 comentários:

Natália Gidi disse...

`Fico muito feliz por ver tu escrever sobre isso! Sempre fomos ensinadas dentro de casa a dar valor ao "ser" e não ao "ter". Infelizmente muitas pessoas não puderam ter a mesma educação que nós, que nos possibilitou enxergar as coisas de diversos ângulos. Sou tão orgulhosa de ti. A evolução e ao auto conhecimento eliminam a capacidade de julgamento pré concebido. Pois olhar e batalhar com nós mesmos já dá tanto trabalho. A gente é obrigada a caminhar ao passo do mundo... mas a nossa direção é bem diferente!!! Te amo!!! ótimo texto!! Parabéns!!

Angelo disse...

do caralho mesmo! Que bom se todos pensassem assim como você! O Mundo seria um lugar bem melhor PARABÉNS!

Eduardo disse...

o simples fato de teres essa visão do mundo já te faz ser, com toda a certeza, dos seres humanos, o melhor!!

Anônimo disse...

EXCELENTE ESSE POST! é todo teu??? perfeito, girl! Além de gata, você é do bem e muitissimo inteligente!